Educação

COMUNICAÇÃO ORAL EFICAZ


08/12/2021 Wanderlei de Brito

 

FALAR E COMUNICAR É A MESMA COISA?

Desde os tempos de acadêmico da comunicação, venho observando como as palavras FALAR e COMUNICAR são usadas como se tivessem o mesmo significado. O que não está errado, pois o dicionário informa que comunicar é sinônimo de falar. Na prática, porém, eu posso falar e não me comunicar, no caso da oralidade. É preciso, então, nesse caso, considerar o que seria a comunicação como processo.

Penso que FALAR está associado à ação de articular sons, emitindo palavras com um significado pré-definido. Esse ato ocorre a partir do nascimento do ser humano, sendo que, por imitação, ouvimos e repetimos sons, dando-lhes sentido. No popular, vamos ter uma pessoa que fala muito ou pouco, dependendo do número de palavras emitidas.

Escola E3: Comunicação Oral

 

Já COMUNICAR vai muito além. Temos, nesse caso, um procedimento complexo. Para sua configuração, precisamos de três elementos: emissor, receptor e mensagem. Ainda, o mais importante – o receptor precisa entender a mensagem. Ou seja, o processo de comunicação precisa de, no mínimo, duas pessoas. O emissor codifica a mensagem de maneira clara e objetiva, e o receptor pratica uma escuta ativa para receber e decodificar essa mensagem. Então, na prática, não dependemos apenas de uma oratória eficaz, mas também de uma escutatória consciente. 

Partindo do pressuposto de que comunicação é a troca de mensagens, pode-se dizer que o processo comunicacional é, antes de tudo, uma práxis objetiva. Trata-se de uma habilidade aprendida, uma habilidade exclusivamente humana, que ocorre a partir da linguagem, que é também uma capacidade que pertence apenas ao ser humano. Assim, como o ser humano é eminentemente social, isso é, incapaz de viver isolado e solitário, decorre daí o fato de esse ser um fenômeno social. Este aspecto social não está restrito, contudo, como muitas vezes reiterada, apenas se apresenta limitado à perspectiva da comunicação de massas. No âmbito pessoal, vai além do falar (comunicação verbal), pois temos mais forte a linguagem corporal e o som da voz (comunicação não-verbal).

Uma pesquisa realizada na Universidade da Pensilvânia indicou que: as palavras representam 7% na comunicação de uma mensagem, sendo que a voz representa 38% e o corpo representa 55% da comunicação. Devemos lembrar que, na comunicação escrita, o leitor imagina aquilo que lê e, na comunicação verbal, é o comunicador o responsável por colocar a emoção e as imagens na mente do ouvinte.

O que precisamos ter claro, contudo, é a existência de uma íntima relação entre os processos comunicacionais e os desenvolvimentos sociais. Isso porque a comunicação, ao permitir o intercâmbio de mensagens, concretiza uma série de funções, e dentre elas, temos: informar, constituir um consenso – ou, ao menos, uma sólida maioria – persuadir ou convencer, prevenir acontecimentos, aconselhar com relação a atitudes e ações, constituir identidades e até mesmo divertir.

Comunicação, portanto, é um processo que exige conhecimentos e práticas de técnicas. Ocorre quando o emissor emite uma mensagem ao receptor, que interpreta e dá um feedback, completando-a. Para Duda Mendonça, “comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende”, e completo dizendo que, na comunicação ORAL, não é só o que você diz, mas como você diz, pois ficará muito mais forte a comunicação não-verbal nesse momento. A diferença entre falar e comunicar é enorme. 

Escola E3: Inclusão Digital

QUAL É A PRINCIPAL DIFERENÇA ENTRE COMUNICAÇÃO ORAL E COMUNICAÇÃO ESCRITA?

A comunicação oral é a mais completa, mais cheia de emoção e tem um maior impacto. Por isso, exige mais do emissor. Na comunicação escrita, o receptor está ausente e terá que interpretar o aspecto subjetivo da mensagem. Já na comunicação oral, o emissor será responsável por dar vida à mensagem, pois utilizará, além da comunicação verbal, toda força emocional da comunicação não-verbal. Nosso sistema educacional tradicional não privilegia o desenvolvimento da habilidade de comunicação oral, sendo quase todo desenvolvido com comunicação escrita. Por isso, torna-se necessário buscar esta prática em cursos especiais.

Passadori argumenta que “apesar de todo avanço tecnológico dos meios de comunicação, sobretudo da internet e da disponibilidade de recursos audiovisuais, teleconferências e estrutura de telecomunicações, as pessoas se mantêm em contato direto, se reúnem, discutem, conversam, debatem, falam, ouvem e nunca deixarão de fazer isso”. Ainda, de 16 competências que tornam um profissional relevante em seu ambiente de trabalho, Cláudio Queiroz, mestre em administração de empresas, aponta que a maioria tem relação direta ou indireta com a comunicação. 

Você encontrará, nessa relação, formas mais tradicionais – apesar de nem sempre bem trabalhadas – como a comunicação escrita e falada, mas o tema também aparece em gestão da informação, liderança, negociação, orientação ao cliente, orientação ao resultado, relacionamentos interpessoais (isto é, com os outros) e intrapessoal (consigo mesmo), além de tomada de decisão. Portanto, para todas serem bem exercidas, o domínio da comunicação é necessário, é matéria interdisciplinar, pois facilita a exposição das demais competências (KYRILLOS; JUNG).
Comunicação – do latim – communicare, que tem o significado de: trocar opiniões, partilhar, tornar comum, conferenciar. Pode ser realizada por meio do contato físico (abraços), da expressão corporal (gestos) e sistemas simbólicos. O homem pode se comunicar tanto verbalmente, como não- verbalmente. A comunicação é uma necessidade essencial, pois é percebida a partir do contato entre dois ou mais seres humanos e pode ser descrita pelo termo conversação. A comunicação representa um processo primário, ela é uma forma de interação, com produção de sentido entre os seres humanos. É um processo constituinte da sociedade, ou seja, não é que exista sociedade e depois haja comunicação entre as pessoas, a sociedade passa a existir no processo de comunicação. A própria existência do ser humano, dotado de inteligência, linguagem, consciência, é um produto da comunicação.

Escola E3: Desenvolvendo Comunicação

 

 

COMO DESENVOLVER UMA COMUNICAÇÃO ORAL EFICAZ?

Você já parou para analisar quais são as pessoas que se destacam nos grupos de amigos? Nas empresas? Na família? Quando paramos para fazer essa análise, percebemos que, muitas vezes, destaca-se aquele que se comunica melhor, e não necessariamente quem sabe mais. Uma matéria da BBC Capital, em 2017, revela, a partir de uma pesquisa da Universidade de Chapman, que o medo de falar em público é a maior fobia entre os participantes, sendo que 25% deles tinha medo de falar diante de uma plateia. Na mesma publicação, o famoso bilionário Warren Buffet diz que um curso para aprender a falar em público foi, em parte, responsável pelo seu sucesso (SMEDLEY, 2017).

“Numa época em que as ideias certas, apresentadas de forma certa, podem correr o mundo na velocidade da luz, gerando cópias de si mesmas em milhões de mentes, é extremamente útil criar os melhores meios” (ANDERSON). Para verbalizar seus conhecimentos e opiniões, torna-se necessário desenvolver uma comunicação eficaz, potencializando recursos pessoais e complementares para se expressar com espontaneidade, naturalidade e objetividade.

Dois elementos importantes para um bom comunicador são: naturalidade e entusiasmo. Ser artificial ou imitador baixa o nível de comunicação. Além disso, o envolvimento com o tema torna a comunicação mais eficaz e, as falhas cometidas em outros aspectos da comunicação, tornam-se menos relevantes. O segredo do bom comunicador exige disciplina, trabalho e preparação, e é importante ter algo de concreto a dizer e muito envolvimento com o tema. Trabalhar a objetividade e o ordenamento das suas ideias irá potencializar sua mensagem oral.

No caso da comunicação oral, sempre temos, como figura central, quem está fazendo a exposição com recursos pessoais (linguagem corporal e voz), mas podemos completar e ilustrar essa comunicação com recursos complementares, que podem colaborar com esse processo. Entre os principais, pode-se destacar a eficiência ilustrativa do slide e o bom uso do microfone. Considere também o formato da comunicação: informativa, entretenimento ou persuasiva.

 

A competência comunicativa é uma das características de quem exerce a liderança em qualquer setor: na família, entre amigos, na atividade política, religiosa ou empresarial. Podemos afirmar que os empresários, nas reuniões com os pares, e os estudantes, nas apresentações de trabalhos, têm como ferramenta básica a palavra, cuja utilização adequada auxiliará o sucesso na exposição.

“Sessenta por cento de todos os problemas administrativos resultam de ineficiência na comunicação”.

Escola E3: Comunicação Oral

O desafio é conhecer e praticar recursos pessoais e complementares da comunicação oral para que a mensagem chegue sem ruídos. A exemplo do que faz um músico quando prepara uma música nova, o treinamento intenso faz toda diferença na qualidade final, bem como aumenta a desinibição na hora da apresentação, demonstrando, dessa forma, mais naturalidade. Ainda, o significado dessa mensagem vai além dos códigos verbais da comunicação, pois seu maior significado vai estar na comunicação não-verbal.

Leia também: As cinco linguagens da valorização pessoal

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Autonomia! Para quê?


17/11/2021 Marcela Jacob

Todos os dias, milhares de pessoas seguem praticamente o mesmo ritual. Seus despertadores tocam, elas tomam seu banho, seu café, vestem sua roupa e seguem para o trabalho ou trabalham de casa mesmo. Tudo isso parece igual, mas não é! O que as diferencia é o grau de autonomia que cada uma possui.

Kant¹ descreveu, no século XVII, que autonomia é a capacidade da vontade humana de se autodeterminar para realizar algo, seja para si, para o outro ou para o mundo, independentemente de fatores exógenos. Eu diria, simplesmente, que está diretamente relacionada à condição existente entre a necessidade e a livre vontade. Por isso, então, algumas pessoas têm mais facilidade do que outras para executar determinadas tarefas ou realizar outras?

Essa questão é um tanto quanto mais complexa do que só responder sim ou não. De forma prática, diria que, ao longo de suas vidas, as pessoas que executam algumas tarefas de maneira melhor do que outras tarefas ou, ainda, melhor do que outras pessoas, foram mais supridas de ferramentas que as permitissem desenvolver a sua vontade em aprender e a realizar algo para atender a uma determinada necessidade contextual.

Vou dar um exemplo: nunca gostei muito de inglês e passei a vida toda estudando por apenas entender o aprendizado dessa língua era um “mal” necessário. Até hoje, me considero com certa fluência em inglês, e consigo muito bem ler. Dentro das minhas possibilidades, pude fazer um cursinho, além das aulas na escola, mas, se comparo meu grau de fluência com o de outras pessoas com os mesmos recursos, posso encontrar, por vezes, algumas com mais fluência do que eu. No geral, essas pessoas com mais fluência tiveram a vontade despertada em aprender a língua ou a própria necessidade batendo à sua porta.

Eu pude experimentar essas duas coisas juntas: vontade e necessidade. Estava fora do Brasil e sozinha, ou seja, só contava comigo e no momento em que eu me coloquei em uma situação de necessidade do uso da língua, é que pude perceber o quanto eu estava limitada, e uma das coisas que me limitou foi a vontade em aprender, não despertada lá atrás. Naquele momento, usei outros recursos, outras ferramentas, outras habilidades para que eu pudesse recuperar ali a minha autonomia e realizar o que tinha me proposto para aquela viagem. A vontade e a necessidade foram balizadores importantes para que eu entrasse em ação quando precisasse.

Nas empresas, assim como em nossa vida, isso se faz presente quase a todo momento, pois, rotineiramente, temos que tomar decisões, protagonizar soluções, alcançar resultados, organizar processos, entregar com qualidade, engajar as equipes, ser transparentes e produtivos, desempenhar, liderar, treinar, desenvolver, inspirar e colocar em prática tantos outros verbos de ação dos quais precisamos nos apropriar diariamente.

Já parou para pensar que a chave para o seu futuro pode ser a sua autonomia? Ao partir para a ação, precisamos lançar mão de alguns atributos pessoais e, de posse deles, alcançar, com consciência, o que nos propusemos como resultado, meta ou objetivo, seja na vida ou no trabalho. Antes disso, entenda por atributos as características mais próprias e particulares que possuímos ou desenvolvemos e, com as quais transitamos pelo mundo. A partir disso, escolhi três atributos iniciais que considero como princípios básicos da autonomia e que, se associados, podem auxiliar a alcançar os resultados planejados, seja em estados de necessidade ou de livre vontade:

OBSERVAR: observe e entenda como as coisas funcionam e quais são as necessidades daquele contexto ou circunstância. Isso é visão sistêmica;

APRENDER: aprenda com o outro, mas também seja autodidata. Busque por si só adquirir novos aprendizados. Isso é autodesenvolvimento;

REALIZAR: coloque em prática, faça o que tem que ser feito e tome uma iniciativa. Isso é proatividade.

Para adquirir esses atributos, precisamos de algo além, que nasça e cresça dentro de nós e dentro das organizações, a autodeterminação. Pode-se dizer que autodeterminação é a associação entre a vontade “não-livre” e a necessidade de realizar suas escolhas sem intervenção externa. Por ocasião, em ambientes conservadores, é ser a alavancadora da ação quando a autonomia não se faz presente ou foi cerceada. É claro que, se a autodeterminação e a autonomia estiverem em sinergia, presentes nas organizações ou na constância da vida, os resultados ou objetivos traçados serão ainda mais promissores. Ela independe da autonomia, mas depende completamente de uma decisão individual e própria de cada um.

Ainda, tenha uma posse consciente desses atributos, pois, qualquer jornada que você ou sua empresa deseje percorrer, seja por vontade ou por necessidade, será mais rica em conhecimentos, habilidades e atitudes e, certamente, associados à autodeterminação, transformarão qualquer desafio em grandes oportunidades. “Você não é produto das circunstâncias, você é produto das suas decisões.”²

Conte comigo,

Marcela Jacob

Leia também: Pare de fazer Marketing e seja autêntico!

Citações:

¹Immanuel Kant (1724 a 1804): filósofo prussiano, considerado como o principal na era moderna, famoso pela elaboração do denominado Idealismo Transcendental; junto com Laplace, desenvolveu a primeira teoria sobre a formação do Sistema Solar.

²Viktor Frankl (1905 a 1997): neuropsiquiatra austríaco, preso pelo nazismo em um campo de concentração, fundou a terceira escola vienense de Psicoterapia, Logoterapia e Análise Existencial; criou a primeira ciência especializada em sentido da vida no mundo.

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A Torre de Babel das Gerações


29/09/2021 Márcia Welita

Quem nunca ouviu falar do mito da Torre de Babel, seja por questões históricas ou religiosas, não sabe que é bastante comum fazermos esta analogia quando não existe um processo de comunicação.

Isto é, a Torre de Babel é uma história, encontrada em Gêneses 11,1-9, que conta que uma torre foi construída na Babilônia, por descendentes de Noé, que tinham a intenção de eternizar seus nomes. Porém, com a soberba e a vontade de se alcançar aos céus por meio dessa torre, Deus então teria se irritado e os confundido, criando e misturando as línguas para que eles não conseguissem se comunicar e, consequentemente, concluir sua obra. Essa história pontua que esse mito tenha sido inspirado na torre do templo de Marduk, que em hebraico significa Babel.

No entanto, você deve estar pensando: mas por que toda essa introdução em um artigo sobre o mundo corporativo?

Bem, todo este contexto é apenas para explicar a diversidade que existe atualmente nas organizações, pois, no passado, tudo era muito diferente e as pessoas não precisavam mudar de empresa. Assim, na prática, a aposentadoria já era garantida naquela empresa, mas, além disso, a expectativa de vida era menor, o tempo para se aposentar também e, como é possível verificar na publicação abaixo, uma pessoa, aos 42 anos de idade, era considerada “velhinha”.

Figura 1 – Edição de Jornal (não identificado) – janeiro de 1904

A “Velhinha” de 42 anos

Fonte: https://gazetadobairro.com.br/velhinha-de-42-anos/

Outro fator interessante tinha relação com o conceito de carreira. Uma carreira era totalmente linear, uma vez que você sabia exatamente o que deveria fazer para crescer na empresa, ser promovido e, o mais interessante, é que a sua “posição na fila” (ou garantia para o próximo passo) era muito clara.

Além do mais, chegar ao ensino superior era para poucos, e até mesmo se inscrever em um vestibular era muito caro. Se preparar, então, para uma universidade pública, era surreal. Desse modo, a sociedade tratava de filtrar, de forma muito natural, aqueles que teriam os cargos de comando nas organizações, isso sem contar as empresas familiares e se a estrutura organizacional já estava determinada desde sempre, porque a grande maioria da sociedade já possuía o tal “viés operário”. Ou seja, isso quer dizer que era só trabalhar para executar as funções necessárias para que, no final do mês, o salário-padrão estivesse na conta e os trabalhadores pudessem seguir a vida. Além disso, não existiam líderes, e sim chefes, e a forma de liderança era a partir do comando-controle.

A meritocracia era temporal, quer dizer, quanto mais tempo de casa, mais promoção e aumento de salário. Com isso, não eram necessários grandes esforços, comparados aos tempos atuais, mas apenas trabalhar, ter disciplina e aguardar seu momento ou, de novo, se aposentar. Contudo, esse cenário foi mudando, a princípio, aos poucos e, de repente, tivemos um emaranhado de gerações trabalhando juntas, como também a forma de ver a carreira mudou substancialmente. Então, nas próximas linhas, será possível verificar como foi essa mudança e como estamos vivendo com pelo menos 04 ou 05 gerações dentro de uma mesma organização. De fato, isso pode ser algo muito bom, uma vez que temos muita diversidade e a troca de conhecimento pode ser enorme, no entanto, dependendo de como esse contexto é gerido pelos líderes, podem haver questões conflituosas.

Figura 2 – A representação da tração para a inovação: entendendo a “velocidade” da mudança

Fonte: https://arbache.com/blog/o-impacto-da-diversidade-da-forca-de-trabalho-e-dos-novos-consumidores-nos-modelos-de-cultura-organizacional-lineares-e-exponenciais-como-atender-o-bilhao-emergente/

O modelo desenhado acima foi estruturado pelos professores Ana Paula Arbache (PhD) e Fernando Arbache (Mestre), e tem como objetivo, dentre outros itens, ilustrar a questão do capital humano, que tange a referência geracional e os aspectos motivacionais que circundam cada geração. A representação desse modelo resume, de forma clara, como o caminho do mundo corporativo andou, além da forma de organizar a carreira, que foi sendo transformada no decorrer do tempo, conforme as gerações foram entrando no mercado de trabalho.

O traço vertical desse modelo refere-se à forma linear que as empresas atuavam: tudo era rígido, tradicional, havia grande concentração de poder e todo o processo era voltado para o resultado. Ainda, a forma da gestão de carreira era baseada em altos salários, a partir de uma devolutiva de alta produtividade para a empresa. No lado esquerdo superior, estão relacionados os modelos tradicionais, tais como: industriais, mercado financeiro e empresas familiares. Isso era o que podíamos dizer do melhor modelo instituído da época, uma vez que a área de recursos humanos era vista como departamento pessoal. 

O lado direito superior está voltado à Geração Baby Boomer e Geração X, e a motivação principal para se manter na empresa era salário, estabilidade e o trabalho integral. A parte negativa dessas gerações foi a ausência física da família, apesar de ela ter construído grande patrimônio (na época, era considerado status o “ter” e não o “ser”). Contudo, no traço horizontal, começa a haver um olhar mais humano para o colaborador, que é o conceito ‘EX” = a experiência do colaborador passa a ser aplicada com menor hierarquização e burocracia, sendo mais dinâmica, com trocas entre os colaboradores. Neste traço, a forma de trabalho se altera e o horário flexível é aplicado, as questões pessoas e profissionais são consideradas, a forma de reter o talento é vista com seriedade e cada colaborador é enxergado como “único” e não de forma pasteurizada. Dentre outros itens desse traço, vale ressaltar que a área de recursos humanos passa a ter uma visão estratégica e focada no colaborador.

O propósito já começa a fazer parte das gerações Z e o finalzinho da geração Y, já se pensando na geração Alpha, que começa a chegar para o mercado de trabalho. Então, no lado esquerdo inferior é trazido o que o modelo cita como cultura horizontalizada, com recursos disponíveis pela Web, como também a consciência da sustentabilidade. Essas organizações são os modelos das empresas do Vale do Silício, onde se pode ser feliz no trabalho, e em que o colorido é aplicado aos colaboradores das gerações X e Y (Millenium), que fazem parte desse contexto, com uma visão inspiradora e inovadora. 

Já no lado direito inferior estão alocadas as gerações X e a Geração Y (Millenium), voltadas para questões ambientais, crescimento econômico e com a demanda de equilibrar a vida pessoal e profissional. Oriundos dos Baby Boomer e do início da geração X, em que viram seus pais trabalharem muito e darem suas vidas em troca de dinheiro, como já citado anteriormente, essas gerações não enxergam isso como sendo tão necessário. Os pertencentes a essa geração visam um ambiente de trabalho mais leve e uma forma totalmente diferente de levar sua carreira, uma vez que a questão financeira não é o fim, mas apenas um meio para viverem suas experiências.

As Gerações Y e Z possuem um perfil oriundo dos chamados nativos digitais e voltado para a resolução de problemas, utilizando as ferramentas digitais que temos atualmente. Essas gerações desejam direcionar suas carreiras sem se prender às organizações e, quando o que desejam não é cumprido, ou as deixam ou se tornam empreendedores, com empresas inovadoras e voltadas à resolução de problemas. O autor Ismail et al (2015) cita que essas são as gerações do “bilhão emergente”, ou seja, são consumidores que buscam produtos e serviços que tenham velocidade. Dessa forma, captar, reter e engajar esses profissionais fica cada vez mais difícil, uma vez que a autonomia faz parte da sua identidade, além de não se importarem com hierarquias e atuarem por projetos e modelos flexíveis de trabalho, como o home office. A GIG Ecomony passa a ser modelo que os atrai, pois, assim, controlam sua gestão do tempo e escolhem onde querem atuar, sendo adeptos à chamada “share economy” que, em tradução livre, é a “economia do compartilhamento”. 

Temos também a geração Alpha que, para estudiosos e teóricos de desenvolvimento humano, ainda é uma grande interrogação, pois traz características de gerações anteriores dos nativos digitais, inovação e, sempre conectados, aprendem por tutoriais. De fato, não sabemos como será atuar com ela, então vamos aguardar cenas dos próximos capítulos.

Por fim, a seta exterior indica como as empresas deverão tracionar as questões de inovação para atender todas essas necessidades, considerando esse apanhado de gerações. O que se sabe é que, com o tempo, esse modelo vai se transformando, gerações vão acabando e, hoje, as gerações inovadoras, que transformam, serão os Baby Boomers (classificados assim hoje) e, dessa maneira, as organizações vão se adaptando aos novos modelos de colaboradores. Um outro ponto a salientar é que a liderança terá que possuir um olhar holístico para o todo, isto é, agora não se trata apenas de entregar resultado, estruturar processos e cobrar as metas. Trata-se também de desenvolver pessoas com características diferentes e valores totalmente divergentes, inclusive do líder que está coordenando a equipe, e extrair o melhor para a melhor entrega, valorizando seu potencial.

Portanto, essa é diferente da outra torre de babel e estará em constante mudança e com novas adaptações, nem sequer previstas e sonhadas no mundo corporativo. Como diria aquela conhecida frase: “e assim caminha a humanidade”.

Leia Também – Liderança baseada na Regra de Platina

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Felicidade no Trabalho – é possível?


15/09/2021

É possível ter Felicidade no Trabalho?

Vivemos na era dos excessos: tecnologia, informação, eventos e, com toda essa agitação, como ficamos, ou melhor, lidamos com alguns sentimentos e emoções?

Às vezes, a resposta é: “não sei, não dá tempo de pensar nisso”.

Da mesma forma, com a felicidade não é diferente.

Quer ver como não damos atenção a essa sensação?

Quantas vezes, por semana, você pensa na sua felicidade? Ainda, com relação ao seu trabalho, você se considera feliz fazendo o que faz? Já pensou nisso? Bem, primeiro vamos ao conceito de felicidade. Segundo a Dra. Christine Carter, formada pela Universidade da Califórnia, para sentirmos felicidade, é preciso se ter acesso a uma gama de emoções positivas, como esperança, gratidão, otimismo, confiança, inspiração e admiração.

Assim, promover eventos que sustentem o conhecimento sobre a felicidade, para o mundo organizacional, é fundamental, já que sabemos que pessoas felizes são mais engajadas, ficam doentes com menor frequência, faltam menos e são mais colaborativas.

Então, por que muitas empresas ainda não fazem nada para que isso se torne frequente? Porque muitas não sabem nem por onde começar, e outras acreditam que as ações precisam atingir a todos. Ledo engano. A felicidade não é algo que controlamos ou forçamos nos outros e, também, não existe fórmula mágica.

Por isso, algumas ações podem ajudar a promover um ambiente em que as pessoas possam viver experiências felizes.

Por exemplo:

  • Dar liberdade e autonomia para as pessoas, permitindo que tomem decisões. Isso aumenta a confiança interna, fazendo com que elas se tornem mais participativas na empresa;
  • Elogiar as pessoas sempre que possível. Obviamente, os elogios devem ser sinceros;
  • Justiça e transparência nos processos. Em todos eles;
  • Relações positivas e harmoniosas. Claro, os líderes, neste caso, sempre serão os exemplos, por isso, essa atitude deve se iniciar por eles.

Embora não seja possível garantir que, ao se fazer isso, todos se sintam mais felizes, é claro que, então, deve ser iniciado um processo de criar algumas condições para que se possibilite emoções positivas.

É fato que ninguém faz pelo outro aquilo que não se deseja a si mesmo, logo, estar feliz é também uma opção e, o que vai fazer com o que acontece com você, é escolha sua.

Um feliz dia!

Leia também – Suicídio: Por que é tão difícil falar sobre esse tema?

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A Valorização do Indivíduo na Educação


17/02/2021 Idamo Antonio Iacomini Junior

Já parou para pensar que até pouco tempo atrás tudo era feito com base na média das pessoas?

Walter Longo, escritor, publicitário e empreendedor, em seu recente livro “Fim da idade média e início da idade mídia”, aborda com muita propriedade como a tecnologia e a inovação estimulam a meritocracia e a valorização do indivíduo nas Empresas e na Sociedade.

Traz ainda dados empíricos para dizer que inovação é muito mais uma questão de ótica do que de fibra ótica. Trata-se muito mais do olhar humano para as novas tecnologias e inovação.

Dados Empíricos:

Algumas constatações e evoluções importantes:

Medicina era feita com base em protocolos genéricos.

Na área de publicidade e mídia, o que sempre importou era a média de interesse e audiência do consumidor, não havendo nenhuma entrega sob medida, individualizada.

E até pouco tempo atrás, a educação era dada pela inteligência média dos alunos daquela classe, com peso absoluto a idade dos alunos, pouco importando o nível de maturidade deles.

Nos atentando mais nesse texto para a parte educacional e analisando o fator histórico de surgimento desse modelo, chama-se atenção de que ele foi construído para atender os anseios da 2ª Revolução Industrial, que tinha como foco a linha de montagem para dinamizar justamente o processo de montagem das unidades fabris, com a produção ampliada e otimizada para artigos em série.

O objetivo era na massa, alcançar os grupos e jamais nas pessoas, no indivíduo.

E nos tempos atuais, se analisarmos uma sala de aula no formato presencial, será que mudou algo, depois de aproximadamente 100 anos?

No modelo atual na modalidade presencial, todos os alunos têm as mesma Trilha de Aprendizagem, aprendem as mesmas coisas, no mesmo ritmo e tempo, no mesmo ambiente, não é mesmo?

Será que esse modelo educacional está preparando os jovens para o mundo atual?

Segundo um estudo do Fórum Econômico Mundial, 10 profissões muito demandadas atualmente não existiam a 10 anos atrás (Criadores de conteúdo para YouTube; Desenvolvedor de App; Operador de Droner; Motorista de Uber, Gerente de Mídias sociais, Engenheiro de veículo autônomo, Analista de big data, entre outros).

E ainda com base nesse estudo, sugere que 65% das crianças que entram na escola primária hoje vão começar a trabalhar com atividades que ainda não são conhecidas.

É fato que o foco do ensino não pode ser mais nas funções das atividades que conhecemos hoje, devemos preparar pessoas, já que as funções não sabemos quais serão!

Hoje, estamos completando mais de 100 dias de isolamento social, situação nunca antes pensada por todas as gerações. E durante esses dias muito intensos, temos refletido e acompanhado uma transformação digital brutal em diversas áreas.

É válida a reflexão se não estamos demorando demais para aceitar diversas inovações tão óbvias, presos no pensamento lógico de que o que deu certo ontem e continuará dando certo amanhã?

Não estamos com a Síndrome do Espelho Retrovisor? Umas das causas da mediocridade e suas soluções abordada pelo autor Hal Elrod em seu livro O Milagre da Manhã:

Como uma bagagem velha e desgastada, carregamos estresse, medo e preocupações de ontem para o dia de hoje. Quando apresentados a oportunidades, conferimos rapidamente nosso espelho retrovisor para avaliar nossas capacidades passadas. Não, nunca fiz nada assim antes. Nunca produzi nesse nível. De fato, fracassei repetidas vezes.

Quando apresentadas as adversidades, voltamos ao nosso confiável espelho retrovisor para buscar orientação quanto a como reagir. Sim, sou sortudo demais. Esta porcaria sempre acontece comigo. Vou desistir, é o que sempre faço quando tudo fica difícil demais

O ponto é que todas as tecnologias adotadas freneticamente nesse momento tão tenso do distanciamento social não foram criadas e desenvolvidas tão rápido assim, para o momento atual. Todas já estavam à disposição de todos, no entanto, com pouca aderência e engajamento entre os usuários.

Energia e Mindset das Pessoas

Isso não nos faz pensar que a tecnologia é apenas um meio, sendo que a verdadeira transformação digital depende muito mais da energia e mindset das pessoas para a mudança proposta.

Hoje, a possibilidade de inserir o digital na jornada educacional mudou a expectativa da educação.

O ensino a distância e seus diversos recursos tecnológicos utilizados para engajar o aprendizado do aluno nos ambientes virtuais, como o AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem), plataforma de ensino que permite reproduzir uma sala de aula de forma interativa e dinâmica) é possível que o aluno dedique mais tempo a uma determinada matéria caso tenha dificuldade ou avance com mais velocidade caso tenha facilidade. Ou seja, o foco passa a ser no indivíduo, e não mais nas massas, na média dos alunos da classe.

Com a correta utilização dos recursos tecnológicos para a educação, o ensino está mais individualizado, sob medida, e a média dos alunos não precisa mais ser um parâmetro na construção da educação.

Essa realidade é um grande avanço para o desenvolvimento pessoal, pois a educação consegue entregar seu propósito de forma mais assertiva, otimizando os recursos financeiros, que com bem sabemos, são finitos e não deveriam permitir erros na sua jornada de entrega ao aluno, muito em especial por conta do impacto que a educação traz para a vida das pessoas.

Grupo Iaco

Nós, do GRUPO IACO, em todas as frentes dos nossos negócios educacionais, vivenciamos na pele esse contexto, seja na educação superior, de cursos livres ou na educação técnica dos cursos legais (Segurança e Saúde do Trabalhador).

Unopar / Anhanguera

Na atuação das marcas Unopar e Anhanguera, em parceria com a Cogna (atual denominação do grupo KROTON) os polos sob nossa gestão estão vivenciando em todas as áreas de atuação um momento de transformação digital intensa, aliada com a mudança de mindset do nosso time.

Ações como:

  1. Vestibular online
  2. Prova Digital; Tutoria online
  3. Convenções e reuniões online

Estas ações em sido práticas do dia a dia de nossos colaboradores e alunos.

Mas o que mais nos impactou foi que mesmo com o distanciamento social que nos foi imposto, o engajamento do aluno na sua jornada de ensino foi o nosso principal destaque, por conta da interação entre os alunos, tutores, time de apoio e tecnologias educacionais aplicadas sempre com foco na performance individual do nosso aluno, respeitando as diferenças de desempenho.

Portal Iaco EAD – SST

No portfólio dos cursos Legais, o lançamento do Portal EaD IACO com foco nos cursos de Segurança e Saúde do Trabalho (SST) foi impulsionado pela publicação da Norma Regulamentadora (Nr 01) em 30 de Julho de 2019, que estabelece os requisitos a serem adotados nos recursos educacionais digitais para que seja validado um curso a distância (EaD) para os treinamentos teóricos das Normas regulamentadoras.

E mais uma vez vimos na prática o quanto que o olhar no indivíduo faz a diferença, tendo em vista que o modelo adotado permite engajar o aluno com foco no aprendizado, além de uma gestão eficiente e ativa da jornada do aluno. Nessa área preservamos e cuidamos da vida dos colaboradores dos nossos clientes, valor inegociável.

S.O.S Tecnologia e Educação

Nos cursos livres, por meio da marca S.O.S Tecnologia e Educação, com portfólio de formação em Trilhas na área de Tecnologia, não foi diferente. Adotamos a metodologia Brended Learning (ou b-learning), um caminho na qual é combinado a prática pedagógica da metodologia do presencial com o Ensino a Distância (EaD), flexibilizando assim o modo como ocorre o ensino-aprendizado.

Em tempos de pandemia, na S.O.S o formato do presencial foi transformado na presença digital, seja através de grupos de curadoria especializada na Trilha de Formação escolhida, seja em salas virtuais abertas para construir o aprendizado com o tutor de maneira mais aprofundada e individualizada. Ou seja, os alunos visualizam todo o conteúdo no Ambiente Virtual de Aprendizagem e discutem, nessa oportunidade, os conteúdos em salas virtuais monitoradas por tutores especializados nas áreas.

Cada aluno segue no seu ritmo e no seu conteúdo de interesse, sem atropelos da tão falada média das pessoas. Uma humanização da relação entre pedagógico, aluno, conteúdo interativo e instituição, provocada pela sinergia das modalidades on e off-line.

E você, está preparado para a idade mídia?

Idamo Antonio Iacomini Junior
Educador Executivo, Advogado e empreendedor na área educacional

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