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Das coisas que não contamos para ninguém. Os desafios da presença feminina


09/03/2022 Mariana Belo

Sabe quando passamos por aqueles dias em que algo de muito ruim acontece e você acredita que ele não tem como piorar? Pois é… sempre tem como piorar! Contudo, a melhor parte disso é que esse “piorar” repentino servirá, ao final, para aprender que tudo irá melhorar. Loucura? Talvez!

Não, não falaremos aqui de relacionamento amoroso, mas é importante constar que tudo começou com uma decepção amorosa, graças a Deus! Sabe quando a admiração pelo outro acaba? Então, esse é um dos piores sentimentos que já senti em minha vida, pois me batia uma culpa em senti-lo e, por essa razão, me distanciei de mim, dele, das pessoas e mergulhei, cada vez mais, no profissional. Era uma espécie de fuga sabe? A consequência disso? Um belo par de chifres, obviamente. O que acabou me obrigando a tomar uma decisão, que eu já devia ter tomado há muito tempo! Mari, por que trazer esse assunto? Porque, no mesmo mês que decidi sair de casa e alugar um apartamento só para mim, em abril de 2019, também recebi uma notícia! Sim, fui demitida! Isso mesmo, demitida uma semana após fechar o contrato de aluguel! (Ah, nem preciso falar que meu ex tentou me convencer a cancelar o contrato de aluguel, não é mesmo?) E agora? O que fazer? Apesar de eu me falar o tempo todo: “você trabalha com RH, você sabe fazer um bom currículo, você sabe fazer uma entrevista…”, estar do outro lado era algo totalmente novo, totalmente incerto, totalmente assustador.

Então, cheguei em casa, tomei um belo e demorado banho e, a primeira coisa que fiz, foi rezar! Falar com Deus sempre me dá uma luz e me ajuda nas tomadas de decisão. Sempre tive um sonho, fazer intercâmbio… e, nesse momento, meu grande questionamento era: fazer intercâmbio ou buscar uma oportunidade? Depois do meu bom bate-papo com Deus e, obviamente, sem resposta, nesse momento, atualizei o LinkedIn e meu currículo! Caraca, tinha 6 anos que não atualizava meu Linkedin! Parei no tempo? Sentia-me tão confortável na empresa que trabalhava, que não pensava na necessidade de investir, verdadeiramente, em mim e na minha carreira. Não investia no meu marketing pessoal, sequer olhava para mim! No dia seguinte, acordei com uma mensagem da Argentina, era um diretor de RH querendo trazer uma operação e que buscava um profissional para fazer a expansão aqui no Brasil. Quando vi a mensagem, tive uma única certeza: meu lugar é aqui, e o melhor é buscar oportunidades aqui mesmo, no Brasil. Nessa primeira entrevista, senti o primeiro preconceito desses dias de desemprego.

Após apresentar a oportunidade, seu primeiro questionamento foi: “como você está lá na empresa?” Eu lhe disse que havia saído no dia anterior, por uma questão de redução de equipe, e sua fisionomia de imediato mudou! Ele questionou: “ah, então foi demitida ontem?” Eu disse que sim, havia sido desligada no dia anterior, e a entrevista simplesmente acabou! Enfim, fui julgada pelo simples fato de ter sido desligada, sem ao menos ele querer saber o motivo! Ok, pensei: essa situação é apenas a resposta de Deus ao que eu perguntei. Foi aí que decidi tirar um mês de descanso, e decidi viajar! Sozinha, decidi colocar o pensamento no lugar. Se eu pudesse deixar um conselho, diria que todo mundo deveria fazer isso ao menos uma vez na vida! É a melhor coisa que podemos fazer a nós mesmos! Assim, mais uma meta foi criada: uma viagem sozinha por, no mínimo, um ano (e não vale viagem a trabalho). Voltei energizada, mais confiante, pronta para o novo, pronta para tudo… ou quase tudo! Um mês após o meu retorno de viagem, já havia passado por algumas entrevistas de emprego. Umas sem retorno, outras com salário bem abaixo do esperado, então, não aceitas… Foi aí que recebi o contato de uma consultoria mencionando uma proposta para trabalhar em uma escola tradicional de São Paulo. Então, foi feita uma entrevista bem bacana com esse consultor, ele apresentou o projeto, fizemos a entrevista em inglês, enfim, gostei da proposta e evoluímos para as próximas etapas.

Na última etapa, com o CFO da escola, fui presencialmente à escola conhecer o meu possível líder. Sua primeira questão: “qual é mesmo a sua idade? Você aparenta ser bem mais jovem no que diz no seu currículo!” Apesar de já ter ficado desconfortável com o tom do questionamento, não o levei tão a sério, pois esse é um tipo de comentário comum quando as pessoas me conhecem. Sua próxima questão foi sobre o que eu havia feito no final de semana. Encarei o questionamento com total naturalidade, afinal, ele devia estar na etapa de quebrar o gelo para me deixar mais confortável e absorver com mais facilidade as informações necessárias para a entrevista. Disse-lhe que havia feito um trabalho voluntário em uma formação de alta performance pessoal para uma determinada consultoria, e sua resposta foi: “ah, você é uma daquelas idiotas que se voluntária e só a consultoria ganha dinheiro?” Educadamente, disse que, na minha percepção, quem mais saia ganhando era eu, pois estava participando e me desenvolvendo também. Seguimos a entrevista e ele me questionou sobre como eu reagiria ao ter que lidar com o ego de alguns professores antigos e mais velhos, e se eu acreditava que conseguiria passar credibilidade ao lidar com eles. Ok, mais uma vez, me senti incomodada com a forma como ele questionou isso, mas entendi seu ponto de vista e questionamento e, educadamente, respondi que estava acostumada a lidar com diferentes públicos, até porque lidava tanto com públicos de loja, quanto com a presidência da empresa.

A entrevista continuou, até que veio o último questionamento: “me diz uma coisa, você, toda bonitinha assim, o que veio fazer nessa selva de pedra? Por que não ficou na sua cidade e não se casou com um homem rico?” Assédio moral? Denunciar? O que fazer nessa situação? Se calar? Mulher nenhuma merece ser tão desrespeitada como eu fui com esse ser escroto! O que significa dizer isso? Não posso ser uma profissional competente pelo fato de ser mulher? Por que o profissional é questionado tendo a aparência como base? Por qual razão, mesmo conscientemente sabendo quem eu sou, sabendo do meu potencial, acabei me sentindo um lixo com esse comentário? Por qual razão eu simplesmente me calei diante dessa situação? Meu maior questionamento hoje é: por que não denunciei? Por que deixei esse ser falar o que quisesse, sem que houvesse nenhuma punição? Pior ainda, por que permiti que me abalasse tanto com esse comentário? Que crenças são essas que fazem com que nos calemos diante disso? Nunca havia imaginado passar por isso, e não desejo essa experiência para ninguém. Ah, sobre como reagi na ocasião, minha resposta a ele foi: “muito obrigada pelo seu tempo, mas não me encaixo no perfil da vaga”. Então, levantei-me e saí, sem ao menos dar espaço para uma resposta. No entanto, entrei no carro e chorei por exatos 40 minutos, sem conseguir sequer ligá-lo. Quanto ao resultado, o rapaz da consultoria me ligou, querendo saber o que havia acontecido, me deu um retorno positivo e pediu desculpas, informando que aquilo tudo tinha sido um teste que ele havia feito comigo, o que aumentou ainda mais minha indignação, por causa do tamanho desrespeito dele. Obviamente, recusei a vaga e disse que não trabalharia com um ser escroto por dinheiro nenhum do mundo, pois o respeito pelas pessoas está acima de qualquer coisa.

No final das contas, sabe o que foi o pior disso tudo? O quanto essa situação, mesmo sabendo conscientemente que nada tinha a ver comigo, me impactou, afetando a minha autoconfiança e auto estima. Ela me mostrou o quanto, nós mulheres, ainda temos que provar para nós mesmas e para os outros como somos capazes. Convenhamos, isso é simplesmente vergonhoso e, justamente por ser vergonhoso, que nós mulheres, muitas vezes, fazemos o oposto do que deve ser feito. Ou seja, não contamos nada para ninguém.

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